Algo mais do que cliques: mídias sociais e revolução

Origem da Imagem: http://guerrillanews.files.wordpress.com
O ano de 2011 tem sido especialmente marcado pela erupção de um vulcão capaz de abalar a estrutura social e política das nações. Desde o início do ano, tivemos a Primavera Árabe, a revolta em Londres, os protestos na Espanha e, recentemente, a ocupação de Wall Street. O que há em comum entre todas essas manifestações? O uso intensivo das redes sociais para a articulação dos movimentos e para a ampla divulgação de conteúdo.
Estamos em uma nova realidade: se antes a manifestação política se dava por meio de jornais impressos e distribuídos nas ruas, hoje temos lideranças civis imersas até o pescoço em redes sociais. Todas as revoltas citadas no início do post, e outras mais, estão utilizando em alguma medida Twitter, Facebook e outras redes. No Youtube, é facílimo encontrar vídeos que mostram cenas de conflitos, desde filmagens precárias realizadas com celulares até o documentário Summer of Change, produzido em meio às manifestações em andamento no coração financeiro do mundo.
Os revolucionários estão se valendo da tecnologia em oposição às autoridades políticas e forças de segurança. Independente de haver censura ou não nos palcos desses conflitos, nem mesmo o corte dos cabos submarinos que transmitem dados por meio da internet conseguiriam parar o contrabando de informações. Não há força capaz de interromper o fluxo viabilizado com o transporte de pendrives e memory cards entre fronteiras.
O que há de concreto nisso tudo é que a tecnologia solapou dos governos o poder de mediar e impedir o fluxo da informação. Para nós, assistir à rendição das forças de Ditadores no Oriente tem sido tão fácil quanto ver o capítulo de ontem da nossa novela favorita. Da mesma forma, é muito mais fácil organizar movimentos que extrapolam o chamado “ativismo de sofá” e expressam uma demanda social que vai além de cliques de “curtir” ou discursos inflamados em páginas pessoais.
Os impactos do uso da tecnologia só poderão ser adequadamente mensurados quando esses movimentos forem comparados a outros tempos, nos quais revoltas estudantis e levantes populares eram organizados sem o uso da internet. Mas uma coisa é certa: nada mais será como antes.
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