Acontece: Debate na FINEP sobre o Manual de Orientações Gerais sobre Inovação
Acontece hoje o próximo evento da série Debate FINEP, a partir das 10 horas, com o tema Manual de Orientações Gerais sobre Inovação, de autoria de Eduardo Grizendi. Com foco nas empresas, o manual é voltado para empresas que pretendem exportar ou que já exportam.
A palestra será no Espaço Cultural FINEP, que fica na Praia do Flamengo 200, pilotis.
UPDATE: lamentavelmente, as chuvas que caem no Rio de Janeiro impediram a chegada do palestrante. Esperamos que seja divulgada uma data futura para o evento.
Agenda: X Encontro da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais – SBPMat

Acontece, no período de 25 a 29 de setembro, o X encontro da SPBMat, que tem como objetivo aproximar pesquisadores em Ciência e Engenharia de Materiais do Brasil e do Exterior.
O X Encontro será organizado na forma de simpósios temáticos com a apresentação de trabalhos orais e sessões de pôsteres. Serão proferidas, ainda, conferências plenárias por especialistas renomados.
Mais informações podem ser obtidas aqui.
Agenda: A Caminho da Economia Verde – São Paulo

Acontece no dia 24 de maio de 2011, em São Paulo, o evento A Caminho da Economia Verde, promovido pelo governo do Estado de São Paulo. O foco do evento é discutir a convergência entre sustentabilidade e erradicação da pobreza, e contará com a participação do especialista Pavan Sukhdev.
Para maiores informações, clique aqui.
Ludificação e Realidade(s)
Seth Priebatsch é uma das personalidades mais peculiares do universo da tecnologia. Seus 22 anos foram suficientes para que ele concebesse um negócio cujo valor é atualmente estimado em US$100 milhões. Mas não é isso que atrai os holofotes sobre ele, mas a inusitada visão de que o mundo não se diferencia muito de um jogo – na realidade, ele enxerga o mundo como um jogo, uma infinita sucessão de desafios, respostas e reconhecimentos.
Gamification – ou ludificação – é um dos termos que abrange os modelos de pensamento baseados na similaridade existente entre os jogos e o mundo real. No caso concreto da SCVNGR, empresa de Seth, a experiência tem sido promover a convergência entre jogo, consumo – incluindo promoções diárias especiais – e aplicações baseadas em localização. Esse conjunto faz com que a SCVNGR figure em um cenário de coopetição – cooperação+competição – com empresas como a gigantesca GroupOn, assim como Foursquare, Gowalla, Facebook e seus similares de menor porte.
Seth define a terceira era da web como uma “camada de jogo” – game layer, um conjunto de aplicações nas quais os usuários vão interagir, realizar atividades e colher recompensas. Haveria o risco dessa visão do mundo inverter a lógica tradicional, fazendo com que alguém pudesse enxergar a vida como um jogo?
Há especulações sobre isso. Estaremos no futuro envolvidos em redes de relacionamentos baseados predominantemente em conveniência e “compartilhamento de vitórias”? Quão fortes são essas redes de jogos e de compartilhamento online, a ponto de orientarem nossas opções de amigos, namorados ou mesmo cônjuges? A resposta requer um estudo de micropolítica e sociologia muito mais acurado do que aquele que é possível fazer no momento, mas não deixa de ser interessante pensar que um dos parâmetros para o estabelecimento de relações pode ser a quantidade de “likes” e validações que uma pessoa, por meio de sua influência, pode proporcionar a uma outra.
Enquanto parece haver um movimento em massa para um cenário propício à ludificação da internet, com diversos gurus imaginando suas realidades futuras, os indicadores ainda não são convincentes. PAra entender melhoir o quadro, basta citar que, enquanto a base de usuários cadastrados no Foursquare aumentou em cerca de 35%, chegando ao número de 8 milhões de contas, a relação de checkins/usuário diminuiu cerca de 30%. Essa informação isolada não significa muita coisa, mas dá um indicativo de que pode não haver uma “transição natural” para os cenários “jogatizados” que alguns enxergam no horizonte.
O fato é que o tema, embora seja quente, carece ainda de discussões básicas, até mesmo para o entendimento do que vem a ser a ludificação. Além disso, há uma corrente crítica que afirma que “gamification” deveria ser interpretado como “exploitationware” – algo como “jogo de exploração” no sentido mais pejorativo atribuído a esse termo. Em última instância, jogadores aficcionados poderiam reduzir suas rotinas a infindáveis sequências de deslocamento-checkin-level up, na melhor tradição do cãozinho de Pavlov, inspiração principal da corrente da psicologia conhecida como behaviorismo.
É fato que essa perspectiva será amplamente aplicada aos negócios e que ela tem condições de ganhar força com o crescimento do segmento de aplicações mobile e das redes sociais. Quanto a nós, restará talvez o estranhamento quando recebermos convites de pessoas desconhecidas via sms, redigidos assim: “olá, preciso de mais 10 contatos que frequentem essa livraria para ganhar um desconto de 50% nos livros de Direito. Posso te adicionar?”.
Esse texto foi o resultado de uma pesquisa instigada pelo guru Silvio Meira. Quem nunca ouviu falar dele precisa tomar algumas providências urgentes:
1 – abandonar imediatamente qualquer interação com equipamentos tecnológicos mais complexos do que um controle remoto de tv;
2 – ler um pouco sobre o que ele diz a respeito de tecnologia; e
3 – recomeçar do zero o seu relacionamento com esse universo.
A saudável inveja de quem vive em uma só janela
Apesar de eu me considerar um entusiasta da tecnologia, confesso que às vezes me vejo um pouco pensativo sobre os custos da transformações impostas por algumas mudanças que ela promove. Aconteceu hoje, enquanto eu lia uma materia chamada Neverland, na revista TRIP #198, que defende que uma “mentalidade formada na internet” contribui para a perda da empatia e assim prejudica a sociedade como um todo.
Mesmo pessoalmente considerando que é um exagero, essa materia me fez pensar na dificuldade que é, hoje em dia, manter o foco por longos períodos em um só assunto, por mais prioritário que ele possa ser. Com tantos estímulos, entre mp3 players, navegadores com 12 janelas abertas, um gerenciador de torrents, o MSN e o Skype – muitas vezes, tudo utilizado simultaneamente, corremos o risco de não nos dedicarmos a nenhuma dessas coisas a contento. E ficam as páginas lidas pela metade, a letra da música sem ser decorada, os downloads feitos a esmo – servindo apenas para lotar o HD – e as infinitas conversas interrompidas, sinais claros de que o dia terminou somente por capricho do relógio, e não pela certeza do encerramento de mais uma etapa.
E aí, surgem aquelas filosofias internas, por vezes tão banais mas nem por isso desprezíveis: tenho uma ponta de inveja de quem consegue viver em “uma só janela”. Faz uma coisa, de ponta a ponta, de cada vez. Essa virtude é especialmente importante quando a “janela” em questão é o mundo à sua volta. Principalmente para esse caso, a melhor coisa a fazer é realmente viver essa única janela.
A divagação acima me lembrou um ótimo comercial, chamado disconnected to connect. Para quem não viu ainda, basta clicar abaixo.
