Posts de Julho, 2009

Convergência Digital no Brasil: alguns pensamentos

Julho 23, 2009

Caros leitores: decidi reproduzir aqui uma participação minha em uma discussão sobre convergência digital no Brasil. Espero comentários e críticas para o enriquecimento da questão.

 

Há vários pesquisadores e profissionais de áreas afins que afirmam que o processo de convergência digital se dará de forma cada vez mais intensa em todos os países. O Brasil não será diferente: aos poucos, a população tem se envolvido nesse processo por meio do acesso à internet, de serviços interativos de operadoras celulares e até mesmo a partir dos mais tradicionais meios de comunicação: TV aberta e rádio AM/FM.

Em relação à TV aberta, é bom levarmos em conta que o sistema analógico ainda sobreviverá alguns anos, provavelmente além das estimativas do governo, uma vez que a TV digital ainda não decolou. Com isso, passa a ser importante levar em conta as experiências de convergência já em curso, como os programas interativos que integram sinal de TV aberta, envio de mensagens SMS e salas de chat simultanenamente. O rádio tem caminhado de forma semelhante: cada vez mais, surgem programas que, ao invés de lerem as cartas dos ouvintes, leem emails, torpedos e outras formas de comunicação instantânea.

As empresas precisam estar atentas a essas oportunidades, evitando os discursos milagrosos dos gurus de negócios 2.0, 3.0 etc. Sessões de bate-papo são tão interativas quanto teleconferências, mas são muito mais baratas. O elemento crítico no processo de convergência é a comunicação em tempo real, somada à possibilidade de socialização e compartilhamento de conteúdo. Tecnologias são meios para que isso seja viabilizado.

Em relação aos diferenciais desse processo em nosso país, confesso que não sei a fundo como o processo de convergência digital tem se dado nos outros países da AL, mas uma coisa a ser destacada aqui é que o processo de convergência digital tem se caracterizado por dois aspectos:

1) a inclusão digital ser uma bandeira de cunho social; e

2) a convergência ser predominantemente realizada por meio de telefones celulares, e não de computadores.

O fato da inclusão digital estar alinhada a propostas de natureza social significa que, num primeiro momento, ampliar a base de indivíduos que acessam a internet não quer dizer, necessariamente, a ampliação do mercado para os negócios online. Em compensação, é concreta a ampliação da participação dos novos usuários em serviços de compartilhamento de informações, desde aqueles de comunicação instantânea (chats, MSN, ICQ etc.) até portais como a wikipedia e o Transparência Brasil.

E não devemos esquecer que, como há dezenas de milhões de celulares por aí, as empresas devem estar atentas aos usuários que visitam seus sites em aparelhos com telas reduzidas. São poucas as empresas que preparam seus sites para esse tipo de acesso.

Google Chrome OS: impressões

Julho 13, 2009
 
Aos poucos, vai se delineando como será o Chrome OS, sistema operacional que a Google lançará nos próximos meses. Tendo em vista a briga em curso pelo domínio do mercado global, é inevitável estabelecer algumas comparações com a rival Microsoft.
 
A primeira delas é a inovação na abordagem: enquanto a trajetória histórica da MS consistiu na transposição dos seus produtos para o ambiente web, a Google segue exatamente a mesma rota, mas no sentido contrário: a partir do Chrome, chegará em breve aos desktops de todo o mundo.
 
Uma das características descritas que pode trazer mais impacto para a rápida expansão do Chrome OS no universo dos usuários domésticos é a possibilidade dele rodar alguns serviços em nuvem, reduzindo a demanda por recursos pertencentes à máquina do usuário. A partir de uma conexão com a internet, a capacidade de processamento pode ser reforçada conforme a necessidade, reduzindo a busca por constantes upgrades que caracteriza o universo da informática nos últimos meses.
 
O fato do sistema operacional rodar sobre o kernel do Linux garante razoável estabilidade e a arquitetura do sistema tem como característica a manutenção da total independência entre as janelas abertas. E a possibilidade de desenvolvimento de aplicativos por outros desenvolvedores dá indicações de que há grandes chances de uma rápida expansão.
 
Ainda residem algumas dúvidas: o Chrome OS será pago? Qual será o tamanho do arquivo para download? A Google pretende investir no mercado corporativo? As grandes empresas do ramo vão aderir à plataforma?
 
Independente das respostas, configura-se um futuro no qual a disputa será acirradíssima.

Second Life Brasil e MySpace.br – sobre o fim

Julho 13, 2009
O primeiro semestre do ano foi marcado pelo fim das atividades, em território nacional, de dois serviços internacionais: MySpace e Second Life não possuem mais uma base de operações em território nacional. Até onde pude perceber, o fato não trará efeitos maiores do que uma pequena mudança na forma de pagamento dos serviços / recursos pagos. Os escritórios locais não eram mais do que bases avançadas em nosso país.
 
Observando algumas discussões sobre o assunto, uma das coisas que saltou aos olhos foi o fato de diversos usuários nem mesmo saberem, até a divulgação da notícia, que havia existitdo uma filial “.br” dos dois. Convenhamos: ambos os sites tinham nichos específicos, em sua esmagadora maioria early adopters que já haviam sido arrebatados pelas versões “.com” originais. A base nacional não apresentava um diferencial na estratégia dos dois grupos. Ainda que as estatísticas sobre o crescimento e a base de usuários do país sejam animadoras, o fato é que elas não refletem crescimentos proporcionais nas bases de usuários cadastrados nos diferentes serviços, muito menos o crescimento proporcional dos usuários que contratam serviços online pagos de qualquer natureza.
 
Não há como negar que os anúncios têm a ver com a crise econômica mundial. Não foi coincidência o fechamento da filial brasileira do MySpace no mesmo mês em que o grupo anunciou a demissão de 420 funcionários.  Independente do fato, o domíno br.myspace continua ativo, e redireciona o acesso para o site internacional.
 
O mesmo sentido de continuidade não pode ser percebido no caso do Second Life Brasil. O site oficial, da MainLandBrasil, responde a cada tentativa de acesso com um runtime error. O aparente abandono parece ser apenas mais um indício de uma estratégia que não foi capaz de assegurar uma base regular de usuários brasileiros.
 
Quem perdeu? Os executivos e funcionários das filiais brasileiras. Quem ganhou? Provavelmente ninguém. E os usuários? Para a grande maioria, o barco segue sem maiores transtornos.