Caros leitores: decidi reproduzir aqui uma participação minha em uma discussão sobre convergência digital no Brasil. Espero comentários e críticas para o enriquecimento da questão.
Há vários pesquisadores e profissionais de áreas afins que afirmam que o processo de convergência digital se dará de forma cada vez mais intensa em todos os países. O Brasil não será diferente: aos poucos, a população tem se envolvido nesse processo por meio do acesso à internet, de serviços interativos de operadoras celulares e até mesmo a partir dos mais tradicionais meios de comunicação: TV aberta e rádio AM/FM.
Em relação à TV aberta, é bom levarmos em conta que o sistema analógico ainda sobreviverá alguns anos, provavelmente além das estimativas do governo, uma vez que a TV digital ainda não decolou. Com isso, passa a ser importante levar em conta as experiências de convergência já em curso, como os programas interativos que integram sinal de TV aberta, envio de mensagens SMS e salas de chat simultanenamente. O rádio tem caminhado de forma semelhante: cada vez mais, surgem programas que, ao invés de lerem as cartas dos ouvintes, leem emails, torpedos e outras formas de comunicação instantânea.
As empresas precisam estar atentas a essas oportunidades, evitando os discursos milagrosos dos gurus de negócios 2.0, 3.0 etc. Sessões de bate-papo são tão interativas quanto teleconferências, mas são muito mais baratas. O elemento crítico no processo de convergência é a comunicação em tempo real, somada à possibilidade de socialização e compartilhamento de conteúdo. Tecnologias são meios para que isso seja viabilizado.
Em relação aos diferenciais desse processo em nosso país, confesso que não sei a fundo como o processo de convergência digital tem se dado nos outros países da AL, mas uma coisa a ser destacada aqui é que o processo de convergência digital tem se caracterizado por dois aspectos:
1) a inclusão digital ser uma bandeira de cunho social; e
2) a convergência ser predominantemente realizada por meio de telefones celulares, e não de computadores.
O fato da inclusão digital estar alinhada a propostas de natureza social significa que, num primeiro momento, ampliar a base de indivíduos que acessam a internet não quer dizer, necessariamente, a ampliação do mercado para os negócios online. Em compensação, é concreta a ampliação da participação dos novos usuários em serviços de compartilhamento de informações, desde aqueles de comunicação instantânea (chats, MSN, ICQ etc.) até portais como a wikipedia e o Transparência Brasil.
E não devemos esquecer que, como há dezenas de milhões de celulares por aí, as empresas devem estar atentas aos usuários que visitam seus sites em aparelhos com telas reduzidas. São poucas as empresas que preparam seus sites para esse tipo de acesso.